Pastel

Miguel Ângelo

Li em um dia (em menos tempo até) o livro Miguel Ângelo 1475 – 1564 de Gilles Néret Ed. Taschen.
Aprendi que tenho um vício que esse antigo mestre também tinha: era apaixonado por homens. Eu também acho os homens tão belos que passo horas a admirá-los. A ver como se comportam. Seu jeito e etc.
Como Miguel Ângelo, carrego um modelo de beleza que me maltrata na cabeça. Rostos de traços tão finos e delicados que parecem anjos ou mulheres… Jovens, belos, mas viris por muitos músculos no corpo que lembram os antigos deuses pagãos. Enfim, um modelo mítico de beleza, algo irreal.
Por isso que quando ouço um elogio dizendo que sou bonito, acabo por não concordar e nem posso. Primeiro porque não o sou e em segundo porque não me acho belo. Agradeço o carinho de bom grado.
Porém, Miguel Ângelo fez-me pensar nos modelos irreais que quero para a arte que desejo produzir. Sempre estou entre o clássico e o moderno e grotesco. Tão antagonistas entre si que me paralisam. Não sei ainda por onde seguirei. E isso me deixa infeliz, pois já sou velho e não tenho muito tempo.
Vejam por exemplo este desenho meu:

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Sábado a noite sem você por aqui

Sábado a noite sem você aqui.

Filme pornô tem sua beleza em gestos que esboço o mais rápido possível e uma velha canção que ouvimos sempre juntos está agora em mim.

Arte é pensamento, pensamento é ação

Arte é feita diariamente por cada ser humano sobre a face desse planeta. Mas a maioria não percebe o poder que tem nas mãos, nos pés, na voz, nas suas atitudes cotidianas.
Costumamos chamar muito desses atos, ou se preferirem ações, de política e política tem uma conotação tão ordinária e suja para todos nós… Mas pense bem, nossas atitudes são mais do que comer, beber, escrever, desenhar, pintar, falar, cantar, andar, dançar…
Não importa o suporte, nem a ação… A arte é o momento, o pensamento e o que motiva.
A arte é mágica.

Se começarmos a ver as coisas por essa perspectiva, muitas atitudes cotidianas ganham um novo sentido. Procuraremos valorizar a nossa vida. Melhorá-la. E arte serve para isso. Fazer arte, apreciar arte serve para isso. Para acordar, mostrar, fazer sonhar, iludir, enganar, brincar, jogar, amar, odiar… Fazer viver, tornar vivo, animado!!!

Por exemplo, um simples post numa rede social qualquer não pode ser motivado por uma atitude monkey see monkey do… Imagina se viver fosse assim!!! Se viver fosse só isso!!! É nesse momento que nos encontramos atualmente, não só no virtual, mas no real também! Porém, isso tudo pode mudar com uma forma nova de entender, olhar, pensar e agir.

Escrever palavras como essa que agora você lê tem pelo menos uma motivação por trás… Um desejo de imantar, de despertar um desejo de mudança, um querer pensar e agir diferente. De animar!

E isso é tão arte quanto uma canção e está tão aberta a diferentes tipos de interpretação que são influenciadas por tantos fatores quanto qualquer outro produto artístico. Tal interação ilimitada é arte. A música, a palavra, a poesia, o texto, o desenho, a pintura, o gesto, a dança… etc….etc…etc… São apenas um produto disso.

Access de Marie Sester

Ao ler sobre essa obra no livro New Media Art, imaginei que havia uma menininha robot, meio filme I.A. (Inteligência Artificial) e que a partir do momento em que você passava em frente a guria, as câmeras sensores que seriam seus olhos, marcariam o transeunte e todo o resto seria conforme o filme aí debaixo mostra…

É, imaginei um pouco de mais, porém não deixa de ser interessante a obra como um todo. Se procurar pelo YouTube vocês acabarão achando outros filmes.

A questão que me toca, será que a obra é realmente interativa? Ou é apenas a máquina te escolhe e vai para onde você for com o foco de luz durante um tempo? Você pode correr dela durante um tempo, mas a luz e o som que são transmitidos pela mesma e que só você que está no spotlight vai ouvir é a intenção realizada pela mesma unicamente.

A gente pode achar que está interagindo, mas não está. A máquina é quem faz as escolhas e permanece enquanto está programada, ou se preferirem, afim.

Bem, fica aqui o registro de um ponto de vista momentâneo.

Link para o video: http://www.youtube.com/watch?v=678EaXPekFo

Entrevista com o Dalai Lama

O que é um blog além de um diário on line, isto é, um livro virtual aberto?! Sempre evito postar aqui coisas muito pessoais. Com essa atitude, as postagens vão se tornando poucas. Porém, abro uma excessão agora para compartilhar a entrevista de S.S. Dalai Lama que está disponível para leitura apenas para quem é assinante UOL. Por considerar essa entrevista tão bacana, resolvi compartilhar a mesma na integra aqui com vocês.

Espero que gostem.  Seja por curiosidade ou por considerarem positivamente a figura desse líder religioso…  Caso contrário, apenas ignorem.

Abraços!

“Nós devemos ser uma democracia republicana”, diz líder tibetano Dalai Lama

Frédéric Bobin
Enviado especial a Dharamsala (Norte da Índia)

Ele explica por que separou as funções de chefe político e de dirigente religioso tibetano

O Dalai Lama, que estará em Toulouse, na França, entre os dias 13 e 15 de agosto, na condição de líder espiritual dos tibetanos, explica as motivações que o levaram a renunciar a seu título de chefe político dos tibetanos, no dia 10 de março.

Le Monde: O sr. acaba de secularizar as instituições do Tibete no exílio, impondo a distinção entre a autoridade religiosa do dalai-lama e a direção política da comunidade. Por quê?

Dalai Lama: É uma longa história! Desde minha adolescência, quando tinha 13 ou 14 anos, percebi os defeitos do sistema de governo tibetano. O poder máximo estava concentrado em pouquíssimas mãos. Após nosso exílio em 1959 na Índia, comecei a democratização das instituições. E assim foi eleito o primeiro-ministro, em 2001. A partir dessa data, minha posição pessoal era a de uma semi-aposentadoria política. No início do ano, houve uma campanha para a eleição de um novo primeiro-ministro. Notei que as comunidades em exílio nos países livres estavam ativas e felizes de participar da eleição, e que os candidatos eram de qualidade. Decidi então que, após dez anos de semi-aposentadoria, era hora de eu entrar em uma aposentadoria política completa.

Le Monde: Mas para além de sua pessoa, o sr. está mudando drasticamente a instituição do dalai-lama.

Dalai Lama: Sim, não se trata somente de minha aposentadoria pessoal. Trata-se de pôr fim a uma tradição de quase quatrocentos anos em virtude da qual o dalai-lama era automaticamente dotado da autoridade política. Sempre pensei que era preciso separar as funções de chefe político e de dirigente religioso. Teria sido hipócrita de minha parte não aplicar a mim mesmo essa convicção. É arcaico que um país seja dirigido por um rei ou um chefe religioso. A melhor maneira de dirigir um povo é por meio da eleição. Desde criança admiro as instituições democráticas.

Le Monde: Em que estado de espírito o sr. tomou essa decisão?

Dalai Lama: É importante preservar a instituição do dalai-lama, que é uma instituição religiosa importante do ponto de vista histórico entre os tibetanos. Mas para torná-la menos controversa, é preciso separá-la do poder político. Estou tomando essa decisão voluntariamente e com alegria, e não por desânimo ou desespero. Teria sido uma desonra se a instituição do dalai-lama terminasse de forma polêmica. E acredito que a função do dalai-lama livre de sua autoridade política pode ser mais útil no plano religioso.

Le Monde: Os parlamentares religiosos em exílio lhe pediram para manter um papel de chefe de Estado puramente cerimonial, um pouco como um monarca constitucional. O sr. se recusou. Por quê?

Dalai Lama: Não gosto dessa fórmula. Tenho o maior respeito pela rainha da Inglaterra e pelo príncipe Charles, mas, pessoalmente, não gostaria de ser uma figura simbólica. Ficaria com a sensação de ser uma marionete com um primeiro-ministro puxando os fios (risos). Nós devemos ser uma total democracia tipo republicana.

Le Monde: Muitos tibetanos se mostraram contrários ou preocupados com essa mudança.

Dalai Lama: Em caso de necessidade, sempre estarei disponível para dar conselhos. Estou certo de que, a longo prazo, minha decisão é a que melhor poderá servir os interesses do povo tibetano, bem como os da instituição do dalai-lama.

Le Monde: Há outro domínio no qual o sr. fala em inovações necessárias, o de sua reencarnação. O sr. quer conter uma ofensiva chinesa após sua morte, quando chegar a hora de identificar sua reencarnação?

Dalai Lama: Nada foi decidido até hoje. Já faz anos que venho levantando essa questão em reuniões. As pessoas interessadas nessa questão me dizem: “Não há pressa.” Em geral, preferem o método tradicional de seleção da reencarnação. Mas mencionei opções alternativas. Acredito que uma eleição por um conclave de tipo papal seria uma fórmula estável.

Além disso, no Tibete existe uma prática segundo a qual um lama cria um garoto que ele pressente ser sua reencarnação até a idade de 15 a 20 anos e depois conclui: “Será uma boa escolha”. Só então ele propõe que seu nome seja oficialmente validado. É uma fórmula mais interessante do que escolher definitivamente um garoto muito novo. Por fim, há uma prática onde o lama escolhe sua reencarnação antes de sua própria morte.

Le Monde: Qualquer que seja a fórmula escolhida, por muitas vezes o sr. declarou que sua reencarnação só poderá nascer fora do Tibete sob tutela chinesa. Por quê?

Dalai Lama: Há anos que sou muito claro nesse ponto: após minha morte, renascerei em um país livre. Porque o próprio sentido da reencarnação é que a nova vida tente continuar a obra não terminada da vida anterior.

Le Monde: O sr. chegou a mencionar a possibilidade de que sua reencarnação seja uma mulher.

Dalai Lama: De fato. Se a situação for tal que somente uma mulher possa ser a mais útil para a espiritualidade budista, por que não? Costumo falar da necessidade da compaixão. Ora, nesse domínio, a mulher é biologicamente mais sensível ao sofrimento alheio. Algumas pessoas acham que estou brincando. Não, falo sério.

Le Monde: O sr. teme uma possível interferência de Pequim na escolha de sua reencarnação?

Dalai Lama: Antigamente, os imperadores chineses eram budistas e acreditavam no fenômeno do renascimento. Mas os comunistas chineses de hoje entendem a religião como um “veneno” e me consideram um “demônio”. Então é um absurdo que eles se interessem por minha reencarnação, uma enorme contradição.

Se eles querem ter qualquer relevância nesse domínio, que comecem a reconhecer a reencarnação de Mao Tsé-tung ou de Deng Xiaoping. Só então eles poderão se interessar pela reencarnação do dalai-lama.

Le Monde: O que o sr. ouve sobre a situação no Tibete?

Dalai Lama: A situação é muito ruim. O controle do Partido Comunista chinês é muito duro. Um recente relatório oficial ressalta que os gastos com segurança interna na China são superiores ao orçamento da Defesa. Isso significa que a ameaça interna é considerada maior que a ameaça externa. No Tibete de hoje, existe a desconfiança e a suspeita em toda parte. Como isso pode durar? É impossível. É uma autodestruição a longo prazo.

Le Monde: O sr. acredita que a China acabará se democratizando?

Dalai Lama: Quando se trata de pedir à China que se democratize, tenho reservas. Porque não é do interesse de ninguém que a autoridade central colapse, que o caos se instale. Uma mudança gradual é bem melhor. Mas o que a China mais precisa agora é de uma liberdade de informação. Um bilhão e trezentos milhões de chineses têm o direito de poder julgar o que é bom ou ruim para eles.

Tradução: Lana Lim
Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2011/08/02/nos-devemos-ser-uma-democracia-republicana-diz-lider-tibetano-dalai-lama.jhtm

De fã para fã

Fãs sempre choram a morte de seus ídolos. E inevitável. Aquele que nao e fã, fica triste e ate pode chorar mas com o fã e diferente.
O fã conheceu e nao conheceu a íntimo aquela figura publica. Ele comungou de idéias, sentimentos, sonhos…
Um fã mesmo passando o tempo… 1 ano, 2… Lembra do ídolo como um amigo perdido. Nao entende porque ele teve que partir tão cedo, logo agora! Ainda tinha tanto a mostrar, ainda tinha muito a dizer e outro tanto a fazer.
Fãs torcem pela volta por cima. Ensaiam a dancinha do “I told you so” a favor de seus ídolos para comemorar a genialidade e a recuperação enquanto os outros torcem pelo pior para sentirem-se fodoes e superiores, para apontar o dedo, levantar os seus olhos e narizes e nao encararem sua vida mal vivida.
Fãs ficam tristes com os abutres que passam a especular o porque, que trazem suas formulações estapafúrdias, suas previsões certeiras do que ia acontecer e vai acontecer em volta do nome e memória de seu ídolo. Que enfatizam cada vez mais a bizarrice em detrimento a humanidade e fragilidade do mesmo. Sua real beleza!
O ser humano nao e bizarro?! O ser humano e normal?! Para o nao fã ele e normal, nao e bizarro e perpetua a piada suja contra o ser humano querido e amado pelo fã. Abomina o séquito de súditos que aquela pessoa conseguiu enquanto viva e que continuara fazendo mesmo depois de morta. Porque gênios continuam a encantar depois que se vão.
Um fã ama incondicionalmente e continua a chorar a perda anos a fio. A relembrar aquela palavra ouvida ou lida em uma entrevista e que funcionou como um símbolo maravilhoso que cataputou o que havia de melhor nele pelo seu ídolo pajé.
Eu entendo esse fã de Amy Winehouse. Entendo como se comportarao. Porque eu também sou fã de um astro da musica que nos deixou ha dois anos atras.
Por isso eu deixo aqui o meu mais sincero carinho e Um beijo nesse momento tão doloroso.
Carinhosamente de um fã já órfão de Michael Jackson. :-(

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